domingo, 10 de fevereiro de 2013
Abajur!
Ele estava ali a pouco tempo, porém já era bem velho e usado. Tinha-mos acabado de nos mudar a dois dias e ainda estava- mos colocando tudo no lugar. Meu pai ficou para desencaixotar tudo e pediu para que eu desse uma geral no sótão. Meio resmungando eu fui, pois como a casa era velha achei que nada de lá nos seria útil. Fui subindo as escadas e a cada passo os degraus faziam barulho, parecia que iriam quebrar a qualquer momento, e o corrimão era bem empoeirado, mas mesmo assim continuei.
Chegando, abri a porta e notei que o lugar era bem grande com bastante caixas, sacos, madeiras e coisas velhas. Fui olhando uma a uma, e primeiramente as que me interessavam. Estava tudo bem empoeirado... Algumas fotos, bilhetes, ja não dava mais para se ver a cor ou o que havia neles. Peguei uma das enormes caixas que encontrei e nela, fui colocando tudo o que não prestava. Era muita coisa, mas depois de um tempo terminei. Quando estava pronto para descer, avistei em um canto por detrás da porta que havia algo muito velho e mais empoeirado do que todas as coisas dali.
Limpei- o e esperançosamente fui falar com meu pai. Pedi a ele para ficar com o objeto, pois depois do trabalho pesado, eu merecia algo em troca... E já que aquilo não teria nenhuma outra utilidade na casa, ele deixou que eu o colocasse em meu quarto. Fui feliz e torcendo para que ele funcionasse, terminei de arrumar meu quarto e colocar tudo em lugar. Então corri as escadas e fui até o armário da cozinha; abri uma das gavetas e peguei uma lampada. Corri de volta até meu quarto e encaixei a lâmpada no meu mais 'novo' velho objeto. Estava ansioso para vê- lo funcionar. Liguei- o na tomada e 'plim!' Aquela luz iluminou todo o meu quarto. Coloquei ele em cima o meu criado-mudo e desci para o jantar.
Voltei para meu quarto e sentei- me um pouco para escrever, estava no começo de um livro e precisava de idéias. Acendi aquela luz que clareava todo meu quarto com esperança de escrever alguma coisa naquela folha. Achei que minha mais nova "relíquia" me ajudaria a pensar. E por um estante foi como se as idéias surgissem em minha mente, uma experiência realmente incrível. Fiquei quase a noite inteira acordado, escrevendo folhas e mais folhas, e adorava a ideia de que minha nova relíquia tinha algum valor para o antigo dono. Voltei ao sótão e recriei toda a imagem que vi da primeira vez que entrei ali. E por um momento, achei estranho porque o que mais me recordei foram de coisas velhas sem uso algum, todas numa caixa, que eu ainda não havia jogado fora. Fiquei me perguntando, mas não levei nada muito a serio. Voltei a meu criado mudo e a luz foi acesa mais uma vez, e de novo, ideias e ideias iam surgindo a cada momento. Depois de um tempinho, já cansado, desliguei- o e fui dormir.
O tempo passou e eu até achava que ele era magico... Porém aconteceu o que uma hora ou outra iria acontecer. Porque não podia durar pra sempre? Eu estava esperando muito de um velho objeto achado no sótão. Então, eu voltei, depois que ele parou de funcionar, levei-o novamente para o local de onde estava antes de eu encontrá- lo. Revirei de novo aquele sótão que já não visitava a anos. E quando fui colocar ele no lugar que havia achado, encontrei um bilhete que dizia o seguinte:
" Pra você que encontrou meu velho amigo, vejo que agora notou o quanto ele era importante. Pois ele também foi de grande valia para mim. Ele nunca foi magico, por mais que eu tenha acreditado nisso por um tempo. Mas acabei descobrindo que a cada vez que eu o acendia, eu acreditava que poderia fazer o que quisesse. Nunca achei que teria um grande potencial, mas ele me fez acreditar, de uma maneira estranha, mas verdadeira. E agora que você sabe disso, vá e faça bom uso do que aprendeu! Ele é apenas um simples e velho ABAJUR, que agora parou de funcionar. Mas você é bem mais do que isso! "
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