Estava doendo. Muito. Era como se alguém tivesse o-
apertando. Forte, muito forte. E eu já sentia aquilo. Ele chamava por socorro.
E eu ali, sem reação, já estava nervosa. Não sabia como agir.
Perguntas vinham ante mim, e eu não conseguia pensar em nada, com uma voz
trêmula, só conseguia responder: nada, está tudo bem.
Não, não estava. Não estava nada bem, era tudo. Estava cansada,
exausta de fingir. Mas ainda ali, com minha mão sobre o peito, eu sentia
aquilo, aquele aperto terrível.
Então para encurta, ele, o grande “Sufocado” dessa
história, me fez notar que nada mais valia a pena. Que não adiantava mais
seguir em frente.
Ele me dizia, já sussurrando; Pare, por favor, pare! Acabe logo
com isso, com a minha, a nossa dor. Vai ser rápido e ao mesmo tempo bom para
nós dois. Eu juro não fazer doer nada.
Então já sem rumo algum, decidi segui- lo. Subi , bem no
terraço daquele altíssimo condomínio e com ele sussurrando: será bom para nós
dois, te prometo.
Dalí dava para ver de tudo. Das grandes casas até as mais
altas montanhas. E com aquela faca afiada em minhas mãos, e um bilhete no
bolso, ele continuava; Anda, está doendo muito, ande mais rápido com isso!
Crave logo isso em mim, e se jogue!
Eu ia ouvindo- o mas minha mente dizia: Isso não é certo,
ele não diz a verdade nunca, não faça isso!
Mas eu já estava completamente com aquele faca perante mim,
não havia mais volta. Fui para a ponta daquele terraço, cravei a faca onde ele
me ordenara , pulei e ...
Repórter: Estamos
aqui, ao vivo, para mais uma drástica notícia. Uma jovem acaba com sua vida bem
no meio da noite. Conhecidos ainda tentam identificar o real motivo, mas até
agora a única informação que temos é que junto ao seu corpo foi encontrado um
bilhete, que dizia:
“Eu não sabia mais o que fazer, não conseguia mais fingir. Ele
me disse que não ia doer, e ela, que ainda havia uma saída. Acho que as vezes
temos que dar mais ouvidos ao coração da nossa mente e não ao coração que está
em nosso interior. Eu decidi não dar
ouvidos a minha mente, ela me dizia que eu ainda poderia acabar com aquele
sofrimento, mas de uma outra maneira. Mas ele... bom ele me dizia pra acabar
com tudo de uma vez, me dizia pra desistir. E por burrice, e talvez por não
saber mais de nada, decidi ouvi- ló. Meu coração, além de amar quem não deveria
me disse pra seguir esse caminho. Foi o que eu fiz. Perdoem- me mas eu não mais
suportava. Eu desisti. Para todos, um conselho; não escutem ele, ele me causou
isso, escutem ela, ela me disse o que era certo, mas infelizmente, fiz a
indelicadeza de ignorá-la. Então é isso. É só. Até uma outra vez até uma
próxima, se eu der sorte. Estou partindo com uma lágrima nos olhos e na mão...
ele. O causador de tudo! Coração!
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